Frete e logística longe do ideal
20/05/2009
A ampliação dos trilhos da ferrovia senador Vicente Vuolo, a antiga, Ferronorte, traz a reboque expectativas em torno de maior eficiência logística, principalmente para o escoamento dos grãos, como também, redução de custos os produtores. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira, não há dúvidas sobre a importância deste modal ao Estado, “no entanto, o modelo em que ele está desenhado não traz, pelo menos a curto e médio prazo, benefícios diretos ao produtor”.
Como explica, de cada 100 sacas de milho, 58 sacas são apenas para cobrir despesas com frete. No caso da soja, são 40 sacas. “Enquanto o produtor não fizer parte direta, o frete não trará alívio. O alívio, sem a participação direta do produtor, só virá quando o sistema brasileiro se igualar ao da Europa, onde na linha férrea operaram cinco, seis empresas. No Brasil, a concessionária é ‘dona’ da estrada e assim, sem concorrente, nada muda”.
Com a ampliação, o transporte de grãos anual chegará a 20 milhões de toneladas. A produção atual está estimada em 26,50 milhões.
Silveira destaca que durante a colheita do milho safrinha – que tem início ainda neste semestre – o preço do frete rodoviário, comparado ao ferroviário, não apresenta diferença, ou em alguns casos, o trem fica mais caro. “Deveria haver uma regulamentação que obrigasse o frete férreo a ser sempre um percentual pré-determinado mais barato que o rodoviário. Quanto tempo mais o produtor terá de esperar por opções de frete mais baratas?”. Ele cita como exemplo, a China. Lá, o produtor que está perto da base de escoamento, ganha o preço de mercado pela saca, mais a diferença que o comprador economiza pela proximidade, “ou seja, o preço de Chicago mais o frete. No Brasil, o preço final, é o Chicago menos o frete”.
Apesar da crítica, o governador do Estado Blairo Maggi, observa que desde que a ferrovia chegou a Mato Grosso, os preços dos fretes rodoviários se acomodaram – com pequenas elevações, mais em função do petróleo – e não tem registrado picos de safra, como era antes.
Para o presidente da Fiemt, Mauro Mendes, “inicia-se uma nova etapa, a de agregar valor à produção, com transporte de contêineres, vagões frigorificados e não apenas despachar grãos”.
Autor: Diário de Cuiabá
